quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ARQUITETA DE UM NOVO DESENHO PARA O PET, QUE DESTRÓI A IDÉIA DO PET, EM APUROS NA UFRJ



A sessão do Conselho de Ensino de Graduação do dia 22 de setembro contou com a presença do reitor Aloísio Teixeira, da vice-reitora Sylvia Vargas e do pró-reitor de Pessoal, Luiz Afonso. O motivo da visita foi a moção de repúdio, direcionada à pró-reitora de Extensão, Laura Tavares, aprovada na sessão de dia 1º de setembro pelo colegiado acadêmico. Naquela ocasião, sentindo-se atingidos com uma fala da dirigente da PR-5, os conselheiros votaram o polêmico documento.

O reitor, por sua vez, alegou que a Administração Central teria sido atacada pela moção. Segundo Aloísio, ao reler o documento, não teria dúvidas de que se tratava de uma moção inaceitável. Para ele, este fato poderia colocar a universidade em uma crise institucional. O reitor também defendeu que o CEG teria se manifestado contra a livre expressão e o direito de resposta com esta atitude: “Nunca ninguém foi questionado por expressar sua opinião, nunca ninguém foi constrangido por dar uma opinião”, disse ele, que encerrou: “Peço bom senso, e que revoguem essa moção”.

Os conselheiros ficaram muito descontentes com a situação. A professora Silvia Possas (representante do CCJE) esclareceu ao reitor que a moção teria sido discutida na internet, através da lista dos conselheiros e, posteriormente, no colegiado. Disse também que a situação que o CEG enfrentou (na questão do acesso à UFRJ, na “disputa” com o Consuni) significou um profundo desacato. Argumentou, ainda, que o direito de defesa e a liberdade de expressão teriam sido negadas anteriormente ao colegiado da graduação em diversas situações.

A pró-reitora de Graduação, Belkis Valdman, ponderou que, apesar da hierarquia do Conselho Universitário, que seria regimental, não queria dizer que um conselho tivesse menos capacidade do que outro. Mas existiam regras e decisões que caberia ao CEG aceitar. A professora Maria Antonieta (CT) concordou em muitos aspectos com a fala da conselheira Silvia Possas. Mesmo ao considerar que o Consuni dá a palavra final, o conselho acadêmico deveria ter sido ouvido: “Eu tenho um sentimento de uma situação de gota d´agua; muitos ataques, por várias pessoas da universidade”. E continuou: “Acredito que todos têm direito de se expressar, mas quem fala o que quer, ouve o que não quer”.

Após ouvir as críticas, o reitor ratificou seu posicionamento: “Eu participei de todas as discussões do Consuni, acompanhei as gravações das reuniões, e nada foi dito nessas reuniões que possa ser considerado ofensivo ao CEG, mesmo que tenham sido expressadas opiniões diferentes daquelas que o conselho pensa”. E completou: “Essa alternativa é injusta e incorreta, não se sustenta. Se o CEG quer se manifestar a respeito da sua relação com o Consuni, perfeito, mas essa moção eu não posso aceitar”. Aloísio, ainda para reforçar seu pedido, disse que confiava nos conselheiros para assistir às gravações das reuniões para reverem a opinião.

Reitor dá prazo para revogaçãoO reitor disse iria aguardar a revogação até o dia 14 de outubro para anunciar uma decisão sobre o caso: “Se existem problemas entre os conselhos, vamos tentar resolver isso, mas não vamos aprovar uma moção como esta. No dia 14, informarei o que farei a respeito”, disse.Após a saída do reitor, os professores se sentiram mais à vontade para discutir a questão: “Acho que teremos realmente que rever essa moção, e escrever uma nota de esclarecimento sobre isso”, começou Belkis. “Acho que seria insustentável se eu agora propusesse a retirada da moção e não fosse aprovada. Com certeza alguma decisão institucional vai ter que ser tomada. O problema do texto da moção é grave, ataca toda a administração central”.A maioria dos professores discordou da pró-reitora e também se sentiu ameaçada com a fala do reitor: “Quais os mecanismos que teremos para nos defender? O reitor tem muito mais mecanismos e voz aqui dentro. O CEG tem que se defender. E se não revogarmos a moção, ele vai fazer o quê? Fechar o CEG? Que tipo de ameaça velada é essa?”, questionou Silvia Possas.

A representante técnico-administrativa Ana Maria Ribeiro, responsável pela redação da moção, afirmou que teve o cuidado de ler e reler o documento. Deixou claro que ela poderia ser reescrita. Contudo, também reforçou a argumentação, motivadora do texto, em função dos ataques que o CEG teria sofrido. Defendeu que o conselho só deveria revogar a moção, caso existisse um movimento de mão dupla, de respeito ao CEG, o que não foi demonstrado no ambiente do colegiado: “Não podemos aceitar isso aqui como um ataque velado, a mão tem que ser dupla. Não estávamos atacando a Administração Central, em momento nenhum”.Belkis sugeriu convidar a pró-reitora Laura Tavares para discutir o assunto no CEG o que considerou mais justo, mas Ana Maria discordou. Para ela, Laura deveria fazer um pronunciamento público, dizendo que respeita o colegiado. No ponto de vista da conselheira Ana, com a visita do reitor já teria sido garantido, no colegiado, o espaço de manifestação para a Administração Central.A discussão continuou por um bom tempo. Porém, precisou ser interrompida, pois a pró-reitora Belkis chegou a chorar. Em seguida, como presidente do conselho, pediu a retirada do assunto de pauta e reiterou que convidaria a pró-reitora Laura para a próxima reunião.

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